Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
SOBRE O PSICANALISTA
apresentação
ATENDIMENTO
faça o seu agendamento
CONTATO
fale conosco
Internet e Depressão
A psicanalista também aponta o consumo como um dos fatores de aumento da depressão: o valor das pessoas tem sido medido, cada vez mais...

Nas últimas décadas, os veículos de comunicação de massa identificaram e, de certa forma, promoveram algumas doenças como verdadeiras epidemias: síndrome do pânico, transtorno de estresse pós-traumático, anorexia, bulimia e, mais recentemente, a depressão. Pela complexidade do fenômeno, muitos pesquisadores se têm debruçado sobre o tema.

Para o psicanalista Benilton Bezerra, professor do Instituto de Medicina da UERJ, sofrer é universal no humano, mas a maneira de sofrer 

varia em cada contexto histórico.

A subjetividade humana tem aspectos que são universais, que aparecem na experiência de indivíduos pertencentes a qualquer cultura.

Segundo Bezerra, o fato de que somos em grande parte governados por impulsos e inibições que não dominamos - cuja força e sentido ultrapassa em muito a consciência - é um princípio que encontramos não só na experiência de gregos da época de Sócrates, em tibetanos medievais e nos românticos modernos.

Mas nenhum humano já nasce sujeito. É preciso tornar-se um sujeito, e isto se aprende com os semelhantes, afirma Bezerra.

O caso típico é o da histeria, diz o psicanalista. Hoje já percebemos um deslocamento desse quadro.

As depressões distímicas, os transtornos do pânico, as adições e fenômenos compulsivos e os transtornos alimentares tomaram o lugar dos quadros histéricos da época de Freud, diz Bezerra.

Essas doenças expressam a passagem para um novo cenário, uma nova formação social, na qual o sofrimento é mais vivido como falha de desempenho ou performance do que como conflito interior ou existencial.

As patologias são, num certo sentido, o espelho da cultura de uma época, conclui o psicanalista.

SINTOMAS SOCIAIS

Dados da Organização Mundial de Saúde apontam a depressão como forma de sofrimento mental que cresce de forma epidêmica, sobretudo nos países industrializados.

Até 2020, se persistirem as tendências atuais da transição demográfica e epidemiológica, a carga da depressão subirá a 5,7% da carga total de doenças. Para a psicanalista Maria Rita Kehl, hoje vivemos sob o imperativo da felicidade e do prazer. As pessoas que estão atravessando fases de desânimo ou tristeza absolutamente normais, por contingências da vida, sentem-se logo muito sozinhas, muito erradas, e são tratadas como depressivas. E ficam deprimidas mesmo, em função disso!, afirma Kehl.

A psicanalista também aponta o consumo como um dos fatores de aumento da depressão: o valor das pessoas tem sido medido, cada vez mais, pelo que elas podem consumir. E mesmo os que conseguem consumir e ostentar, não ficam livres de sentir a profunda idiotice desse ideal.

Além da depressão, Kehl observa com preocupação o crescimento da drogadição entre os jovens: não me refiro ao uso de drogas, mas às formas agudas de dependência de algum tipo de droga legal ou ilegal. Kehl acredita que talvez a drogadição faça parte do mesmo quadro da depressão, pois os viciados em drogas, lisérgicos ou medicinais - o que inclui a dependência dos psicofármacos - estão tentando com frequência preencher um vazio, uma falta de sentido na vida insuportável.

Para o psiquiatra Rubens Coura, sob o termo depressão, a mídia e as populações vêm expressando outras tantas patologias psíquicas que não guardam relação direta com a própria depressão. O fato de antidepressivos serem, em geral, utilizados em diversas situações clínicas reforça a atual tendência de se falsear o diagnóstico.

Coura diz que a patologia psíquica dominante é, na verdade, a neurose obsessiva, que se manifesta pela própria preocupação obstinada com uma suposta depressão e com tudo o mais que também possa obstar a conquista da qualidade total, da boa performance profissional e social, da boa aparência, da juventude e da saúde ilimitadas.

Para ele, essas preocupações traem desejos inconscientes muito intensos do oposto dessas virtudes todas e que são expressos, em termos coletivos, pela violência urbana que é o contrário da boa conduta social, pela falta de saúde que é o uso abusivo de drogas, pelo mau desempenho profissional que é representado pela vadiagem de tantos jovens, pela destruição da saúde ilimitada e da boa aparência trazida pela AIDS etc. Coura explica que este fenômeno é o mecanismo de anulação retroativa.

Outro sintoma também presente na neurose obsessiva individual é o mecanismo do isolamento que, segundo Coura, aparece coletivamente no elogio da solidão pessoal, ou privacidade: isolamento no alto dos apartamentos, dos escritórios, na frente dos computadores, sob os walkie-man, sob o permanente medo de contágios por doenças, bem como no receio exacerbado de contatos com pessoas em geral.

A MEDICAÇÃO DO SOFRIMENTO

Diversos pesquisadores da mente humana alertam para o poder da indústria farmacêutica que, com campanhas de markenting, transmitem a idéia de que seus medicamentos são capazes de resolver todos os problemas do paciente. É como se dissessem: Você perdeu um ente querido e está triste?

Não perca tempo, tome um antidepressivo. Para Maria Rita Kehl, essa facilidade em medicar qualquer mal estar psíquico tem o efeito de esvaziar a subjetividade. Bezerra ressalta que não é só o sofrimento que é alvo de uma medicalização crescente hoje.

A infância, o prazer sexual, o lazer, o prazer com a comida, a educação infantil, entre outros aspectos da existência, estão hoje sob o olhar atento dos especialistas. Ele explica que com a utopia da saúde perfeita e a exigência de felicidade que nos envolve sofrer parece um sinal de ineficácia existencial, ou disfunção fisioquímica, que devem ser mais rapidamente possível sanadas.

Acredita que há causas sociais e culturais para isso, mas é determinante o papel da indústria farmacêutica, que se empenha com muita competência em alargar a base de seus consumidores de antidepressivos e tranqüilizantes, medicamentos dos mais vendidos em todo o mundo.

Para Bezerra, a medicação é indicada quando é capaz de ajudar o sujeito a retomar as rédeas de sua existência. Possui uma função de grande importância, de corrigir estados ou funcionamentos físicos: mas não tratamos de cérebros, tratamos de sujeitos. É claro que se damos uma substância química atingimos o seu cérebro. Porém, se usarmos palavras, também, conclui.

Agência FAPESP – Pessoas que passam muito tempo navegando pela internet têm maior risco de apresentar sintomas depressivos, de acordo com uma pesquisa feita no Reino Unido por cientistas da Universidade de Leeds.

O estudo, que será publicado na edição de 10 de fevereiro da revista Psychopathology, procurou analisar o fenômeno de usuários que têm desenvolvido o uso compulsivo da internet, substituindo a interação social no mundo real pelo virtual, em redes sociais, chats ou em outros serviços eletrônicos

Segundo os pesquisadores, os resultados do estudo apontam que esse tipo de dependência pode ter impactos sérios na saúde mental. A internet ocupa hoje parte importante na vida moderna, mas seus benefícios são acompanhados por um lado negro, disse Catriona Morrison, um dos autores do estudo.

Enquanto a maioria usa a rede mundial para se informar, pagar contas, fazer compras e trocar e-mails, há uma pequena parcela dos usuários que acha difícil controlar o tempo gasto on-line. Isso ao ponto em que tal hábito passa a interferir em suas atividades diárias apontou a cientista.

Os viciados em internet passam, proporcionalmente em relação à maioria dos usuários, mais tempo em comunidades virtuais e em sites pornográficos e de jogos. Os pesquisadores verificaram que esse grupo tem incidência maior de depressão de moderada a grave.
Nossa pesquisa indica que o uso excessivo da internet está associado com depressão, mas o que não sabemos é o que vem primeiro. As pessoas depressivas são atraídas pela internet ou é o uso da rede que causa depressão?, Questionou Catriona.

A pesquisa examinou 1.319 pessoas com idades entre 16 e 61 anos. Do total, 1,2% foi considerado como viciado em internet. Apesar de ser uma pequena parte do total, segundo os pesquisadores o número de internautas nessa categoria tem crescido.
Incidentes como a onda de suicídios entre adolescentes ocorrida na cidade de Bridgend, no País de Gales, em 2008, têm levado a questionamentos a respeito da influência das redes sociais em indivíduos vulneráveis à depressão.

No estudo, os pesquisadores observaram que o grupo dos viciados em internet era formado principalmente por usuários mais jovens, com média de idade de 21 anos.

Está claro que para uma pequena parte dos usuários o uso excessivo da internet é um sinal de perigo para tendências depressivas. Precisamos considerar as diversas implicações dessa relação e estabelecer claramente os efeitos desse uso na saúde mental, disse a pesquisadora.

O artigo The relationship between excessive internet use and depression: a questionnaire-based study of 1,319 young people and adults, de Catriona Morrison e outros, pode ser lido por assinantes da Psychopathology (2010;43:121-126 – DOI:10.1159/000277001) em www.karger.com/psp.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 03/02/2010

Voltar

Principal / Pense comigo / Contato / Agenda online
www.ronaldodemattos.com - Todos os direitos reservados 2009 - 2013