Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Homem casado, vale apena tentar?
A mulher, dona da sua vida, que resolve hoje ter um romance com um homem casado já não é a “outra” abominada pela sociedade, posta à margem...

Em principio, tudo vale à pena, porque de tudo se extrai o muito e o pouco com que vamos construindo nossa vida. Mas feita essa premissa, e acrescentando que é justamente no risco, no perigoso incógnito, que o ato de viver se faz mais interessante, podemos olhar e pergunta mais de perto.

Vale apena, em relação a quê? Ao prazer que se pode extrair? Aos resultados práticos? As possibilidades matrimoniais futuras?

Há duas maneiras básicas, e opostas de se enfrentar um eventual caso com um homem casado:

1 – Vale à pena colocar afeto, emoção, tempo, neste homem, na crença ou esperança de que seu amor por ele seja mais forte do que tudo e ele venha a descansar para ficar com você?

2 – Vale a pena arriscar um tombo para ter uma aventura agradável, leve e passageira com este homem que você não quer definitivamente e que também não te quer assim?

A resposta à primeira pergunta é mais difícil. Eu gostaria de dizer não. Eu gostaria de afastar uma mulher deste que é indubitavelmente um sério perigo. Eu diria: não se arrisque, as chances de sofrer são muitas, são tantas, são demais. Mas aconselhar não é impossível, mesmo porque, em meio a incontáveis casos que não deram certo, há aqueles, esplendorosos, em que realmente um amor foi “mais forte que tudo”. E afinal, ter vitória como meta é apenas justo.

Então, covardemente a meio caminho, sem dizer tente e sem dizer fuja, consolo-me sabendo que de pouco adiantaria minha resposta. Porque quando uma mulher se faz esta pergunta é sinal de que um deslumbrante homem casado já apontou no horizonte, e, embora em aparente relutância, a clássica ordem “vai lá” já foi dada, e as suas forças estão em macha.

Aconselhadas a parar, teriam somente o trabalho de encontrar razões irrefutáveis para entrar de cabeça no romance. E razões são fáceis de achar, sobretudo quando a pessoa está atrás delas.

Vamos então ao segundo tipo de enfoque, o que aceita a parte da premissa de transitoriedade, ou pelo menos de não totalidade (não esquecer que, além do vinculo, o homem casado tem outra mulher, a esposa, o que estabelece, de saída, uma relação dividida). Vale a pena?

Pode valer. Os problemas sociais e morais a este respeito já diminuíram muito, nem se trata aqui em assumi o antigo papel de teúda e manteúda.

A mulher, dona da sua vida, que resolve hoje ter um romance com um homem casado já não é a “outra” abominada pela sociedade, posta à margem.

É apenas uma pessoa buscando o seu prazer e tentando a sua felicidade. Direito que lhe é dado inclusive pelas Leis do divórcio. E isto facilita muito as coisas em relação aos outros, ao seu encaixe dentro de um conjunto.

Resta ver em relação a ela mesma. Em primeiro lugar acho importante dizer que não acredito em casualidade. Ou seja, na grande maioria dos casos, a mocinha não se apaixona perdidamente pelo herói, para só depois descobrir que havia uma senhora Herói na jogada.

O processo costuma funcionar ao contrário, a mocinha conhecendo o homem casado, às vezes até acompanhado pela própria mulher, e a partir daí, já sabedora da situação, alimentando um interesse crescente. E isto é importante porque significa que ela não se interessou por ele apenas, mas se interessou por ele casado, foi, ainda que só em parte, atraído pelo fato dele ser um homem basicamente mais difícil que os outros, já ligado a outra mulher, e, que é mais complexo, a toda uma estrutura familiar.

Ela então foi atraída pela “impossibilidade”. E por que isso? Por vontade de sofrer? Absolutamente. Por que, em determinados casos em certos momentos da vida de uma mulher, o homem “impossível” é mais conveniente de todos, o único que atende a necessidade imperiosas.

Acabou-se o tempo em que a única meta da mulher era casar. Agora muitas mulheres jovens em vez de caçar marido estão caçando a vida. Querem conhecer mundos e pessoas, querem se divertir e amar, querem levar adiante uma profissão ou um interesse, para só depois, vida bem vivida casar.

Nem a sociedade lhe cobra, pelo menos de imediato, aliança no dedo. Para elas, durante certo tempo, o homem casado é ideal, companheiro agradável e parceiro amoroso cuja última intenção é exigir definições, ou estabelecimento doméstico. Com ele o jogo pode transcorrer de igual para igual, baseado, sobretudo no “princípio do prazer”, sem necessidade ou perigo de amarras.

Não casar é também o que querem muitas mulheres que tiveram experiências matrimoniais dolorosas. Para elas, uma vez foi mais do que suficiente, e a idéia de repetir a tentativa se afigura como um desastre.

Esquemas como esses, de não-casamento, assimilam mal o solteiro. Porque é inevitável que, sendo boa a relação, e estando ele disponível, se ofereça para, de forma oficial ou oficiosa, coabitar.

A recusa da mulher dificilmente é vista como algo mais do que uma plena rejeição, e lá se vai abaixo todo o edifício amoroso.

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 28/03/2014

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