Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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ELISA LUCINDA
Da chegada do amor

Sempre quis um amor  

que falasse

que soubesse o que sentisse.

Sempre quis uma amor que elaborasse

Que quando dormisse

ressonasse confiança

no sopro do sono

e trouxesse beijo

no clarão da amanhecice.

 

Sempre quis um amor

que coubesse no que me disse.

Sempre quis uma meninice

entre menino e senhor

uma cachorrice

onde tanto pudesse a sem-vergonhice

do macho

quanto a sabedoria do sabedor.

 

Sempre quis um amor cujo

BOM DIA!

morasse na eternidade de encadear os tempos:

passado presente futuro

coisa da mesma embocadura

sabor da mesma golada.

Sempre quis um amor de goleadas

cuja rede complexa

do pano de fundo dos seres

não assustasse.

Sempre quis um amor

que não se incomodasse

quando a poesia da cama me levasse.

Sempre quis uma amor

que não se chateasse

diante das diferenças.

 

Agora, diante da encomenda

metade de mim rasga afoita

o embrulho

e a outra metade é o

futuro de saber o segredo

que enrola o laço,

é observar

o desenho

do invólucro e compará-lo

com a calma da alma

o seu conteúdo.

Contudo

sempre quis um amor

que me coubesse futuro

e me alternasse em menina e adulto

que ora eu fosse o fácil, o sério

e ora um doce mistério

que ora eu fosse medo-asneira

e ora eu fosse brincadeira

ultra-sonografia do furor,

sempre quis um amor

que sem tensa-corrida-de ocorresse.

Sempre quis um amor

que acontecesse

sem esforço

sem medo da inspiração

por ele acabar.

Sempre quis um amor

de abafar,

(não o caso)

mas cuja demora de ocaso

estivesse imensamente

nas nossas mãos.

Sem senãos.

Sempre quis um amor

com definição de quero

sem o lero-lero da falsa sedução.

Eu sempre disse não

à constituição dos séculos

que diz que o "garantido" amor

é a sua negação.

Sempre quis um amor

que gozasse

e que pouco antes

de chegar a esse céu

se anunciasse.

 

Sempre quis um amor

que vivesse a felicidade

sem reclamar dela ou disso.

Sempre quis um amor não omisso

e que sua estórias me contasse.

Ah, eu sempre quis um amor que amasse.

 

 

 

Elisa Lucinda nasceu em Vitória, no Espírito Santo, em 1958, onde se formou em jornalismo e chegou a exercer a profissão. Em 1986, mudou-se para o Rio disposta a seguir a carreira de atriz. Trabalhou em algumas peças, como "Rosa, um Musical Brasileiro", sob direção de Domingos de Oliveira, e "Bukowski, Bicho Solto no Mundo", sob direção de Ticiana Studart. Integrou, ainda, o elenco do filme "A Causa Secreta", de Sérgio Bianchi.

 

"O Semelhante", onde a poeta se apresenta declamando seus versos e conversando com a platéia, estreou no Rio e teve temporadas de sucesso em várias capitais. No mesmo formato apresentou "EUTEAMO Semelhante", também com excelente receptividade. Publicou, entre outros, os livros "A Menina Transparente", "Euteamo e suas estréias", "O Semelhante" e a "Coleção Amigo Oculto" (trilogia infantil). Gravou os Cd’s de poesias: “Semelhante” e “Euteamo e suas Estréias” , sob o selo da gravadora Rob Digital. Há quem critique a temática por demais cotidiana da poesia de Elisa. "A grandeza de um céu estrelado está presente no cotidiano das pessoas; minha poesia fala do cotidiano, sim, pois para mim os sentimentos mais profundos, alegres ou tristes, podem ser traduzidos de forma cotidiana e simples", ela rebate.

 

 

A poesia agora apresentada foi extraída do livro "Euteamo e suas estréias", Editora Record - Rio de Janeiro, 1999, pg. 24.

 

Fonte: http://www.releituras.com/elucinda_menu.asp

em 26/04/2014

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