Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Amar o sonho e Amar a realidade
Sou casada com um homem maravilhoso, mas na verdade sou apaixonada por alguém que namorei antes do meu marido.

Olá Dr. Ronaldo, tenho lido seu site e vique o senhor responde os e-mails dos leitores. Gostaria de um conselho seu.

Sou casada com um homem maravilhoso, mas na verdade sou apaixonada por alguém que namorei antes do meu marido.

Tenho 35 anos e dois filhos. Namorei, noivei durante sete anos, casei na igreja com aquele por quem pensava estar loucamente apaixonada. Meu marido é carinhoso, amigo.Mas tenho esse amor louco preso na garganta.

Na época do nosso namoro, me separei dele por um ciuminho bobo meu. Durante dois anos esperei por ele, mas não o procurei pois na minha idiótice achava indecente uma moça andar à procura de um rapaz. Ai namorei meu futuro marido, casei.

agora sonho com ele todas as noites, penso nele a todo instante e, embora não o veja há 19 anos, está presente em mim até mesmo quando faço amor com meu marido. Quero vê-lo uma vez mais, mas não tenho coragem. E enquanto isso vivo me consumindo de tristeza.

O que devo fazer...?

 

Você tem uma realidade ótima, um marido ao qual atribui todas as virtudes, e que gosta de você. Mas você não o ama. E tem um sonho impreciso, um homem cujas atuais virtudes ou defeitos desconhece, mas pelo qual morre de paixão.

Você leu O grande Gatsby, do escritor americano Scott Fitzgerald? Se não leu, provavelmente viu o filme. Pois bem, Gatsby tem com Daisy um namorico de verão de apenas um mês, quando ambos são jovens, ele oficial pobre partindo para a guerra, ela a moça mais rica da cidade, cobiçada por todos. 

Ele segue o front. E ela casa com outro, um milionário. Passam-se os anos. Gatsby, crente de estar apaixonado por Daisy, luta para subir na vida, ganha montes de dinheiro, compra uma casa estupenda perto da dela, só para poder voltar a conquistá-la.

Mas a verdade é que ele não ama Daisy. Ele ama o que ela representou para ele desde o inicio: riqueza,a casa cheia de luzes e espelhos, o cintilante mundo dos ricos. Daisy é o símbolo disso tudo. Tê-la significaria para Gatsby possuir o passaporte que lhe daria enfim acesso a esse mundo.

O mecanismo é tão evidente que ele dá festas suntuosas, às quais não comparece, porque diz não gostar de festas. As festas seriam um chamariz para Daisy. Mas na verdade, ele não vai porque não está "autorizado", continua sendo o menino pobre que ainda não obteve seu "passaporte".

De fato, a primeira vez que ele participa da sua própria festa é a noite em que Daisy, enfim convidada, aparece. Depois de tantos anos, os dois se encontram. Mas Gatsby, embora declarando a Daisy sua louca paixão e fazendo tudo para demonstrá-la, não consegue vê-la como ela realmente é: frívola, superficial, egoísta, incapaz de amar quem quer que seja. Ele a quercomo a sonhou, como a inventou. E, evidentemente, o romance não dá certo.

Quando fabricamos um sonho é porque precisamos dele. Através do sonho acordado , assim como através do sonho dormindo, estamos resolvendo algum problema. Se você tiver fome de noite, sonhará que está num banquete, ou numa padaria. É a maneira que seu inconsciente tem de satisfazer, ainda que parcialmente, o seu desejo de comida.

Você noivou durante sete anos com seu marido, e quando casou pensava estar "loucamente apaixonada". Naquele tempo, pelo menos, você não tinha "esse amor louco preso na garganta". O que foi que aconteceu então, entre você e seu marido, nos primeiros tempos do casamento, para que você precisasse refabricar a paixão pelo antigo namorado?

Isso, evidentemente, só você poderá responder. E ainda assim terá dificuldade em fazê-lo. Mas olhando de fora fica claro que essa paixão impede que você ame seu marido, o qual, de outra forma, teria tudo para ser muito amado. Você fica assim impedida, por justa causa, de se entregar a um amor verdadeiro, feito do cotidiano, que obriga a dar e a receber. 

Você faz sexo com um pensando no outro. Mas, como não faz sexo com o outro, acaba não fazendo sexo com nenhum dos dois. Não é por falta de coragem que não procura o ex-namorado. É por falta de desejo. Você não quer que ele se transforme em realidade. Pois a realidade é exigente, cobra atitudes, participação. Se, ao deparar com ele, o encontrasse na exata medida do seu sonho, se sentiria obrigada a abandonar seu marido. 

Se o encontrasse aquém, seria obrigada a abrir mão dele. Em ambos os casos haveria um lucro, mas teria que ser pago com uma perda.

Pense nisso. E quando chegar a uma conclusão, verá que, como todos os sonhos, esse também se desvenecerá, deixando você livre para viver a vida real.

Precisando de ajuda, posso indicar alguns amigos terapeutas que trabalham e moram nessa região do país.

Um abraço 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 03/10/2014

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