Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Memorias e emoções
Tudo da consciência! Trabalhamos com o Inconsciente, e por mais estranho que possa parecer, ele não é o lugar do esquecido e sim do insabido, o que é muito diferente...

Um estudo feito nos Estados Unidos tem boas notícias para parentes e amigos de pessoas que sofrem da doença de Alzheimer.

Segundo a pesquisa, indivíduos com problemas de perda de memória esquecem uma conversa ou um momento engraçado, por exemplo. Mas, ainda assim, as sensações associadas com as experiências podem permanecer, com melhoria no humor e no bem-estar.

O trabalho, feito por cientistas da Universidade do Iowa, será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os pesquisadores mostraram a pessoas com problemas de retenção de memória pequenos filmes alegres e tristes. Embora os participantes não tenham conseguido lembrar o que assistiram, o estudo verificou que eles mantiveram as emoções suscitadas pelos filmes.

Os autores do trabalho afirmam que os resultados têm implicações diretas para portadores da doença de Alzheimer. “Uma simples visita ou um telefonema de algum membro da família pode ter uma influência positiva na felicidade do paciente, mesmo que ele rapidamente esqueça que a visita ou a chamada tenha ocorrido”, disse Justin Feinstein, um dos autores do estudo.

“Por outro lado, a contínua indiferença por parte dos profissionais de saúde do local onde o paciente está internado pode deixá-lo mais triste, frustrado e solitário, ainda que ele não saiba os motivos por estar se sentindo dessa forma”, afirmou.

Os pesquisadores avaliaram cinco casos neurológicos raros de pacientes com danos no hipocampo, parte do cérebro crítica para a transferência de memórias de curto prazo para o armazenamento de longo termo. Danos no hipocampo fazem com que memórias desapareçam. Esse mesmo tipo de amnésia é um sinal inicial de Alzheimer.

“Ainda que não se lembrassem dos filmes, eles sentiam a emoção. Tristeza tendeu a durar mais tempo do que a alegria, mas as duas emoções permaneceram por muito mais tempo do que a memória dos filmes”, disse Feinstein.

Os resultados do estudo vão contra a noção popular de que apagar uma memória dolorosa poderia abolir o sofrimento psicológico. Também reforçam a importância de atender necessidades emocionais de portadores de Alzheimer, que, de acordo com estimativas, poderá atingir mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo por volta de 2050.

O artigo Sustained experience of emotion after loss of memory in patients with amnesia (doi/10.1073/pnas.0914054107), de Justin Feinstein e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da Pnas em www.pnas.org.

Agência FAPESP 

 

REFLEXÃO... 

O que a psicanálise tem a ver com a memória? Num primeiro instante poderíamos responder: tudo. Isso se considerarmos que a psicanálise implica em um processo de recordar memórias traumáticas causadoras de sofrimentos e distúrbios.

Mas quem disse que psicanálise é isso? Alguém poderia me responder, "o próprio Freud disse isto!".

Eu não estou tão certo de que o trabalho da psicanálise seja o de lembrar-se de coisas ocorridas na nossa infância que estão esquecidas, inconscientes.

Vamos recomeçar: psicanálise tem pouco a ver com memória, pois esta é do campo da consciência. É a capacidade de armazenar e resgatar pensamentos, imagens e impressões.

Tudo da consciência! Trabalhamos com o Inconsciente, e por mais estranho que possa parecer, ele não é o lugar do esquecido e sim do insabido, o que é muito diferente.

O inconsciente está presente o tempo todo e se impõe em toda e qualquer ação humana, está aí para todo e qualquer ser humano disposto a escutá-lo.

Temos acesso a ele através da fala do analisando, não pelo seu conteúdo, mas por sua estrutura. São pelo modo que os significantes são postos, aqueles que insistem, as quais significados eles estão presos.

Trabalho a partir da fala sobre o discurso Inconsciente, não é da memória que "cuidamos". O que o paciente não sabe é o sentido daquilo que diz e que o determina.

Trauma, lembrança e intensidade parecem desse modo indissociavelmente ligados, sendo ainda a lembrança como que a “portadora” dessa experiência que o sujeito não teve como desvencilhar-se.

Assim nos detemos, à origem do trauma, de um “momento particular”, e também da lembrança como “portadora” dessa experiência, do mesmo modo que percorre de um extremo ao outro a idéia de intensidade.

É curioso que se nos detivermos sobre cada um desses aspectos talvez fôssemos conduzidos a conclusões inteiramente divergentes a respeito de uma mesma questão.

Se for acentuado um “momento particular” a respeito da experiência traumática, seu estatuto seria definido em função da relação estabelecida com outros eventos que colaborariam para esse resultado, como que por somação, por exemplo.

Poderíamos do mesmo modo ressaltar a constituição (biológica ou emocional) do indivíduo que facilitaria o resultado traumático de uma experiência.

Mais do que nos perguntarmos sobre sua natureza, devemos nos manter atentos para o que possa vir a ser entendido sob a denominação de lembrança.

Isso porque em mais de uma oportunidade notamos que o conteúdo da lembrança ligada a um ataque histérico tem sido caracterizado como dizendo respeito, no mínimo, a um fragmento da experiência traumática.

Quer dizer, aquela que o sujeito não pôde elaborar, ou que, enfim, não conseguiu encontrar uma descarga adequada, permanecendo no psiquismo e promovendo os sintomas.

No caso deste estudo recente “memórias vão, emoções ficam” está se caracterizando o que na Psicanálise se chama de fragmentos da experiência.

Este estudo nos convida há pensar um pouco mais sobre este tema, talvez seja um bom exercício para aqueles que queiram se aprofundar na Psicanálise...

Ronaldo de Mattos – Psicanalista Clínico

em 14/04/2010

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