Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Ciúmes e intolerância
Por razões psicológicas, sociológicas e culturais, os sentimentos de posse e a insegurança infantil, componentes do ciúmes, não evoluíram, não se civilizaram, não encontraram um lugar...

Quase todos concordamos se dizem que tolerância é sinal de civilização.Quando se trata de ciúmes,no entanto,muita gente boa é intolerante. Alguns, felizmente uma minoria, chegam a admitir inomináveis agressões à pessoa que cometeu infidelidade. As causas desse sentimento estão em nosso remoto passado. Mas podem ser trabalhadas e proporcionar equilíbrio afetivo.
A Intolerância à amorosa tem atormentado a humanidade desde o início dos tempos, deixando um rastro de sofrimento e morte. Maior compreensão sobre os motivos desta intolerância poderá contribuir para reduzir a agonia de quem passa pela situação de infidelidade.
Há um consenso em considerar a tolerância como ganho educacional e civilizacional. O homem e a sociedade só têm a ganhar quando integram as emoções primitivas, sem negá-las, ao conjunto do funcionamento psíquico, impedindo-as de se tornarem fonte de destruição e de sofrimento excessivo.
No terreno amoroso temos exemplos de que esse processo civilizatório está em curso, porque figuras publicas já expressaram maior tolerância à infidelidade.
Vários são os fatores que conduzem à intolerância amorosa. Um deles, o ciúmes, é sentimento que encontramos em nossa infância remota. O bebê, quando se dá conta da existência da mãe, quer a atenção dela. Ao perceber que os cuidados maternos se dirigem a outra pessoa, um rival, seu medo de perdê-la passa a ter uma referência concreta.
Por razões psicológicas, sociológicas e culturais, os sentimentos de posse e a insegurança infantil, componentes do ciúmes, não evoluíram, não se civilizaram, não encontraram um lugar adequado no conjunto do psiquismo, continuando a ter a mesma intensidade e reatividade dos tempos.Por isso provoca desesperos e tragédias. E o mais interessante é que a sociedade sanciona as agressões e os crimes advindos do ciúmes com uma aprovação muda e ambivalente. A sociedade “compreende” a reação violenta daquele que foi “traído” e, de certa forma, aceita o ato agressivo.
Se conseguirmos nos colocar ao largo da mentalidade reinante, seremos capazes de estranhar o fato de que essa especifica emoção não teve evolução semelhante às outras.
Há, por exemplo, um consenso de que o sentimento infantil de onipotência precisa evoluir para um estágio de capacidade pessoal. O bebê e a criança têm a fantasia de que tudo podem, tudo conseguirão, tudo depende de suas próprias vontades. Os obstáculos e limites que encontram vão desfazendo a fantasia. A onipotência é substituída pela potência, sem porém deixar de existir como um sentimento inconsciente necessário ao equilíbrio psíquico.
A sociedade valoriza tal evolução. Mas o mesmo não acontece com o ciúmes, daí resultando intolerância à infidelidade. Por que seria mais fácil diluir o sentimento de onipotência do que o ciúme? Por que o ciúmes permanece em estado bruto, enquanto a onipotência sofre um trabalho de elaboração?
Por que a sociedade aprova e convive com essa discrepância se ela é fonte de sofrimento?
Não há respostas simples e decisivas. A questão é muito complexa para que possamos enquadrá-la em um esquema. Alguma coisa, porém, pode ser dita. A posição de reizinho na infância é prazerosa. O desejo de continuar neste posto fica no inconsciente e, se não for trabalhado, voltará na união amorosa.
Sua Majestade, o bebê, amado e valorizado pela mãe acima das outras criaturas, quando cresce teme, como no passado, que um rival o rebaixe à categoria de um entre outros.
Ao tomarmos consciência dessa dinâmica, é possível trabalhar sobre ela. Com o tempo consegue-se lidar melhor com o nosso desejo inconsciente de sermos o centro do universo para o amado. O desejo permanece no inconsciente como um motor, mas agora o conjunto do psiquismo encontra modos e meios de mantê-lo em sintonia e equilíbrio com o parceiro e consigo mesmo.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clinico


 

em 27/08/2010

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