Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Tornar-se um Adulto
Afinal, quando é que alguém se torna adulto, do ponto de vista psíquico? Podemos considerar uma pessoa psicologicamente adulta e autônoma, tendo esses problemas com seus pais...

Adolescência prolongada nos questiona quanto à passagem psicológica da idade infantil à maturidade. Afinal, quando é que alguém se torna adulto, do ponto de vista psíquico?Afinal, quando é que alguém se torna adulto, do ponto de vista psíquico?

Um homem com quase 30 anos, morando com seus pais. Diz que não consegue se afinar com eles (seus pais). Quando era pequeno eles fizeram sofrer muito, sempre diziam frases que o feriam, tais como:

"Essa é a nossa casa..." "Enquanto os filhos estão em casa são sempre crianças", até os dias atuais...

O mesmo tem um trabalho que o satisfaz e que o permite levar a vida bem tranqüila, com razoável bem-estar; em vez disso, paga todas as despesas de casa não sobrando nada.

Namora há 10 anos;

A grande pergunta é:

Podemos considerar uma pessoa psicologicamente adulta e autônoma, tendo esses problemas com seus pais...?

Essa situação é muito comum, principalmente nos dias de hoje, diante da tendência geral de uma adolescência mais prolongada.

A pergunta é mais que legitima e merece uma reflexão mais profunda: Quando é que nós tornamos efetivamente autônomos e adultos?

Podemos afirmar que o objeto principal do estudo da psicanálise moderna é exatamente a passagem da idade ou fase infantil à adulta.

Um fator que vem sendo incontestavelmente demonstrado é que cada fase da vida apresenta necessidades e impulsos que devem ser realizados de maneira satisfatória antes que apareçam os problemas da fase sucessiva; cada fase deve ser vivida plenamente, de acordo com o seu significado.

E a passagem à fase sucessiva, isto é, o amadurecimento, se dá no momento em que tomamos consciência do sentido dos fatos que vivemos no passado.

Procede que, para ajudar alguém que se encontra em dificuldade, não se deve agir de uma forma qualquer, mas se devem remover os obstáculos, de modo que o seu desenvolvimento possa retornar o curso natural.

De fato, pode-se dizer que o objetivo especifico da psicanálise é libertar o sujeito dos automatismos da infância, para que possa atingir a plenitude da Idade adulta.

Trata-se de uma tarefa não indiferente que, na realidade, ninguém consegue desempenhar de maneira plena.

Não existe sujeito completamente livre de condicionamentos infantis; inclusive os próprios psicólogos e psicanalistas. Todos nós, sob determinados aspectos mais ou menos secretos, somos infantis em alguma parte da nossa psique.

Pode-se afirmar que o ideal da psicanálise clínica é ajudar as pessoas a se tornar adulta.

Existem certas características fundamentais que parecem caracterizar a autêntica emancipação da fase infantil.

Eis algumas delas: aceitação de si e dos outros; abertura e facilidade nos relacionamentos; capacidade de sempre reconsiderar valores; forte sentimento comunitário; humorismo, ou melhor, bom humor; além da capacidade de auto-ironizar-se e não se levar muito a sério etc.

São qualidades que poderíamos sintetizar-se numa só: “auto-esquecimento”, esquecer de si mesmo em função dos outros ou elaboração.

Por outro lado, a capacidade de perceber de modo mais eficaz a realidade e ter relações serenas com ela, de não viver se lamentando e de se permitir.

A pessoa que se emancipou da infância raramente se queixa, seja do que for. Se o mesmo se queixa, é por que é hipercrítico e inconformado com alguma coisa e acabamos nos submetendo passivamente. No fundo este lamentar denota a convicção de que a infância da pessoa deveria ter sido diferente do que foi

Quando alguém não aceita a própria infância tal qual ela foi, significa que ele ainda continua tendo motivos de queixa; alguma coisa não nos agrada e gostaríamos que fosse diferente. Gostaríamos que as coisas não fossem aquilo que são.

Mas não fazemos esforço dentro de nós, para mudar as condições que causaram a reclamação. Isso se deve ao fato que, na infância, nos deparamos com certas coisas que nos causaram sofrimento, e diante da maioria delas ficamos impotentes, sem encontrar qualquer solução.

E esta incapacidade, que ainda trazemos impede de ver as coisas como elas são na realidade.

Quando éramos pequenos, o poder estava nas mãos dos adultos. O único modo de resistir era chorar, fazer cara feia, ficar com raiva. Se, ao crescer, não tivermos desenvolvido um forte sentido de escolha, continuamos a sentir-nos impotentes diante das adversidades e continuamos a nos lamentar. Ainda como conseqüência, na idade adulta, continuamos nos queixando quando somos contrariados; temos um marido ou uma esposa terrível, um governo terrível, uma terrível situação mundial, uma terrível dor de cabeça. E assim por diante.

O infantilismo não consiste tanto no fato de lamentar-se dessas adversidades, mas em não fazer nada para remediá-las.

Quando notamos que uma coisa está errada, o que nós temos que fazer é procurar transformá-la! E se não podemos mudá-la, mudemos nós mesmos diante da situação.

Quando não conseguimos mudar uma pessoa ou uma situação que consideramos insuportáveis, a verdadeira solução esta em mudar a nossa atitude frente a esta situação.

O adulto maduro elabora o seu próprio compromisso com a realidade. Se resistirmos as coisas que nos atormentaram quando éramos crianças, significa que não entramos em acordo com a realidade.

Desejamos ainda um parceiro ou parceira melhor do que aquele que temos, mais dinheiro, um lugar diferente para viver, uma casa maior e etc.

Assumir um compromisso pessoal com a realidade significa locomover-se dentro dos limites da realidade.

Para um equilibrio emocional o melhor a ser feito seria, aceitar a vida como ela é, sirvamo-nos dela para criar. Vivamos no espaço do possível. Vivamos neste momento, não depois, não antes. Qualquer que seja a nossa vida, nós a estamos vivendo agora. Estamos aqui.

Não existe outro lugar onde possamos estar. Enfim, para o adulto maduro, os pais não tem mais aquela funções específicas de proteção, educação etc., que tinham quando éramos pequenos.

É necessário conquistar certo desapego psíquico deles, mesmo conservando no coração a gratidão por eles. Mas sem recair na dependência infantil.

Em resumo, o verdadeiro comportamento consiste em assumir a liberdade das próprias ações, embora não sejam às vezes, partilhadas pelos pais.

Rosely Sayão, psicóloga e consultora em educação, trata em sua matéria na UOL sobre o tema: Adolescência - até quando? Ela faz uma reflexão sobre a mesma tematica que eu abordei.

"Se isso é bom ou não, só saberemos mais tarde. Pagamos para ver: essa é uma expressão que se aplica muito bem a essa questão. Entretanto, precisamos considerar a possibilidade de a maior parcela dessa conta poder ser debitada aos adolescentes de fato. Pelo menos, como eram considerados antes de todas essas mudanças. É que eles podem olhar para nós e perceber que, depois de chegarmos à vida adulta, decidimos retornar; e podem até concluir que nem vale a pena experimentar essa tal vida adulta, não é?"

Leia mais...

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/2013/10/1352960-adolescencia-ate-quando.shtml

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clinico

em 09/10/2013

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