Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Sexualidade - Fases do desenvolvimento sexual IV
Nos estágios iniciais da vida, a criança não percebe os objetos como tais e só gradativamente, ao longo dos primeiros meses de seu desenvolvimento, aprende a distinguir sua própria pessoa dos objetos.

Freud foi o primeiro a nos fornecer um quadro claro da grande importância que tem, para nossa vida e desenvolvimento psíquicos e sexuais, a relação com outras pessoas.

A primeira delas é naturalmente, a relação da criança com os pais, relação esta que, a princípio, na maior parte dos casos se restringe principalmente à mãe ou à sua substituta.

Um pouco mais tarde surge a relação com os irmãos, ou outros companheiros próximos, e o pai. 

Freud assinalou que as pessoas às quais a criança se apega em seus primeiros anos ocupam uma posição central em sua vida psíquica que é singular no que concerne a sua influência.

Isto é exato, quer o apego da criança a essas pessoas seja por laços de amor, de ódio, ou ambos, sendo o último caso o mais comum. 

Nos estágios iniciais da vida, a criança não percebe os objetos como tais e só gradativamente, ao longo dos primeiros meses de seu desenvolvimento, aprende a distinguir sua própria pessoa dos objetos.

Também entre os objetos mais importantes da infância, se incluem as várias partes do próprio corpo da criança, isto é, seus dedos, artelhos e boca.

Todos eles são importantes como fonte de gratificação, razão pela qual admitimos que sejam altamente catexizados pela libido.

Para sermos mais precisos, deveríamos dizer que os representantes psíquicos dessas partes do corpo da criança são altamente catexizados, já que não mais acreditamos, que a libido seja como um hormônio que se pode transmitir a qualquer parte do corpo e lá se fixar.

A este estado de libido autodirigida Freud (1914) denominou de narcisismo, segundo a lenda grega do jovem Narciso, que se enamorou de si mesmo. Os primeiro objetos da criança são chamados de objetos parciais.

Com isto significamos, por exemplo, que só depois de muito tempo a mãe existe para a criança como um objeto total. Antes disso, seu seio, ou a mamadeira, sua mão, seu rosto, etc., consistiam, cada um, objetos separados na vida mental da criança, e pode bem ser que mesmo aspectos diferentes do que fisicamente constitui um único objeto seja também, para a criança, objetos distintos, e não unidos ou relacionados. 

Só se desenvolve uma relação de objeto contínua na última parte do primeiro ano de vida. Uma das características importantes dessas primeiras relações de objeto é seu alto grau do que chamamos ambivalência. Quer dizer, sentimentos de amor podem alternar em igual intensidade com sentimentos de ódio, segundo as circunstâncias. 

As primeiras fases das relações de objeto são comumente designadas como relações de objeto pré-genitais, ou, às vezes, mais especificamente como relações de objeto anais ou orais. O emprego habitual da palavra “pré-genital” neste sentido é incorreto. O termo apropriado seria “pré-fálico”.

De qualquer modo, na literatura psicanalítica, as relações de objeto da criança denomina-se comumente, conforme a zona erógena que, no momento, esteja desempenhando o papel mais importante na vida libidinal da criança. 

As características da sexualidade infantil, polimorfa e perversa, Freud bem as descreveu em “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade”. A sexualidade infantil difere da do adulto em diversos aspectos. A diferença que mais impressiona situa-se no fato da maior excitação não se localizar, necessariamente, nos genitais, mas no fato de que os genitais, a bem dizer, desempenham a parte de “primus inter pares” entre muitas zonas erógenas.

Também diferem os objetivos: não levam, necessariamente, ao contato sexual, mas alonga-se em atividades que vêm a desempenhar papel, futuramente, no pré-prazer. A sexualidade infantil pode ser ato-erótica, ou seja, tomar para objeto o próprio corpo ou partes deste. Os componentes que se dirigem para os objetos portam traços arcaicos (objetivos de incorporação, ambivalência).

Quando um instinto parcial é bloqueado, reforçam-se, correspondentemente, instintos parciais “colaterais”. A criança pequena é uma criatura instintiva, cheia de impulsos sexual perversos polimorfo, cheio de uma sexualidade total ainda indiferenciada, a qual contém num só todos os instintos parciais. 

Freud sugeriu que se distinguissem dois tipos de excitação : uma que é evocada por estímulos externos, preceptivos, descontínuos; outra que resulta de estímulos instintivos contínuos, dentro do organismo. A assertiva deve, contudo, ser considerada com mais pormenores. Toda a percepção, todos os estímulos sensoriais, quer se originem fora, quer se originem dentro do organismo, têm “caráter provocativo”, isto é, provocam certo impulso à ação. 

O papel excepcional que o deslocamento da energia dá aos instintos sexuais foi o ponto de que Freud partiu na sua primeira classificação dos instintos, pelo fato de haver notado que os neuróticos se sentiam mal porque reprimiam certas experiências e porque estas experiências sempre representavam desejos sexuais.

As forças que combatiam os desejos sexuais eram a angustia, os sentimentos de culpa, ou idéias éticos e estéticos da personalidade; forças estas contra-sexuais que se podiam sumarizar como “instintos do ego”, vestem servirem a auto-conservação.

Existe a formação de um conflito estrutural onde o ego rejeita, certas exigências do id; e, com base no conceito de ser o ego uma camada superficial diferenciada do id, já não se pode sustentar a esperança de que o ego abrigue, inatamente, outros instintos que não estejam presentes no id.

Ainda que as energias instintivas sejam tratadas no ego de modo diverso do que o são no id, há de admitir-se que o ego deriva a sua energia do id, não contendo, primariamente, outros tipos de instintos. 

Embora as fases estejam distintamente descritas, é um engano imaginar que elas ocorram absolutamente isoladas, pois elas podem se sobrepor, ocorrerem paralelamente ou coincidir, assim como jamais serão completadas superadas, sendo observado na fase adulta, comportamento que comprova a existência das fases da sexualidade infantil, o que na maioria dos casos ocorre nas neuroses. 

Pode-se dividir a sexualidade pré-adulta, de modo geral, em três períodos principais: o período infantil, o período de latência e a puberdade.

Hoje em dia se conhece muito bem o começo e o fim do período infantil, ao passo que aquilo situado no meio ainda requer muita pesquisa; possivelmente neste período intermediário, ocorrem variações acidentais mais importantes que as que se dão nas fases iniciais e terminal.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clinico

 

em 25/03/2011

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