Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
SOBRE O PSICANALISTA
apresentação
ATENDIMENTO
faça o seu agendamento
CONTATO
fale conosco
O Ofício do Analista
A partir das interpretações, o analista vai reconstruindo, em seus aspectos reais e fantasmáticas partes da historia infantil do individuo, como dizem Laplanche e Pontalis.

“Interpretação”, “representação”, “atribuição de valores”, tudo isso está diretamente ligado ao ofício do analista de fato.

O Analista interpreta e representa um drama do qual, de inicio, só em largas pinceladas tem idéia, pois é o paciente quem vai distribuir os papéis, ao reencenar com ele toda a sua vida.

Ao representar e interpretar este papel, o analista o “encarna” mas também o torna compreensível, explicável, dá-lhe um sentido e uma significação que então escapavam ao paciente.

Em assim fazendo, está exercendo sua principal função, seu principal papel no processo terapêutico e o faz a partir do mundo das representações e do simbólico, em pleno campo da linguagem. 

Assim, o papel mais importante do analista é o de interpretar e construir.

A Interpretação é tida por todos como o fundamento da terapia psicanalítica. Interpretar é, a partir do que o analisando nos comunicou, dar-lhe uma explicação de algo que ele desconhece a respeito de si mesmo, proporcionando-lhe, assim, um alargamento da compreensão de seu próprio psiquismo, um aumento de seu autoconhecimento. Interpretar é dar uma nova conexão de significados, é estabelecer novas e insuspeitas correlações, é evidenciar o sentido latente existente nas palavras e no comportamento manifesto de uma pessoa. 

A partir das interpretações, o analista vai reconstruindo, em seus aspectos reais e fantasmáticas partes da historia infantil do individuo, como dizem Laplanche e Pontalis. 

O trabalhado do psicanalista como aquele que da sentido, cria significados ao tornar consciente o inconsciente, ao preencher as lacunas da memória, ao recuperar lembranças e vivencias reprimidas, dando assim acesso ao analisando a seu próprio desejo, reinstalando-o dentro de sua história simbólica. 

É na fala do analisando, em seu discurso, que o analista tem acesso às formações do inconsciente. Neste sentido, tudo aquilo que atrapalha em impede este discurso é tido como resistência, pois Freud logo se deu conta de que poderosas forças inconscientes se organizam no analisando, impedindo ou dificultando o desdobrar de seu discurso. A maior delas foi descrita como transferência.
A visão da transferência não mais vai ser abandonada e sim amplificada, Freud oscila entre ver a transferência – e, ao mesmo tempo, entendê-la como a via regia para a recuperação do passado do paciente. 

De outra forma eu diria: Freud vai entender que o paciente repete na transferência para não lembrar, por ser impossível lembrar. A transferência é uma forma especial de recordar, vai dizer Freud em Recordar, repetir e elaborar.

O paciente está repetindo protótipos infantis, atualizando seus desejos inconscientes infantis nas relações atuais, especialmente com o analista, desenvolvendo então uma neurose de transferência. 

Vê-se então que falhas do discurso, as impossibilidades de mantê-lo, desde que parte dele deixa de ser comunicação verbal e se transforma em um viver e atuar na transferência, são repetições e urge interpretá-las, pois é justamente atentando para tais repetições e tendo-as como centrais no processo terapêutico que é possível transformá-las em rememorações, simbolizá-las, integrá-las. 

Ao aparecimento da transferência por parte do paciente, o analista responde com sua contratransferência ou melhor transferência, uma serie de fantasias, desejos, pensamentos desencadeados pelo paciente em seu psiquismo, que também serão importantes na elaboração da interpretação. 

A importância da transferência e da “contratransferência” pode levar a algumas distorções como a excessiva preocupação com a interpretação do aqui e agora. Desconsiderando-se então a interpretação do passado e a elaboração de construções como racionalizações e intelectualizações que visariam a negar o que efetivamente estaria ocorrendo no “aqui e agora”, na “transferência” e a “contratransferência”.

Contra estas distorções é importante lembrar que uma exaltação da relação transferencial em si como bem lembra Laplanche-Pontalis, é um equivoco na qual Freud nunca incorreu. 

Para mim, fica claro que quando Freud fala de construções, não se refere apenas às grandes construções sobre o passado histórico do sujeito, mas maneiras de construir o próprio material da sessão, pois as construções são uma decorrência inelutável da lógica paradoxal própria do inconsciente, a lógica da fantasia, do desejo.

Ronaldo de Mattos – Psicanalista Clinico

em 19/08/2011

Voltar

Principal / Pense comigo / Contato / Agenda online
www.ronaldodemattos.com - Todos os direitos reservados 2009 - 2013