Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
SOBRE O PSICANALISTA
apresentação
ATENDIMENTO
faça o seu agendamento
CONTATO
fale conosco
Realização? O que é?
Em outras palavras muito do que se deseja como realização é dentro de pensamentos e idéias que escolhemos trilhar cartesianamente...

Este foi o tema de uma das palestras do I Encontro de Psicanálise – Pensando com Bion – A clinica e a teoria aqui em Brasília. 


Aproveitando o tema, vamos fazer uma reflexão...
O que é de fato realização?

O significado de realização: Ato ou efeito de realizar ou realizar-se. 

Dalai-Lama define assim: “A felicidade é um estado de espírito. Se sua mente ainda estiver num estado de confusão e agitação, os bens materiais não vão lhe proporcionar felicidade. Felicidade significa paz de espírito”. (Livro: Palavras de Sabedoria) 

Para muitos outros a realização está vinculada ao trabalho. O trabalho é a atividade humana por excelência, pela qual o homem intervém na natureza e em si mesmo.

O trabalho é condição de transferência e, portanto, é expressão da liberdade. 

Por ser uma atividade relacional, o trabalho, além de desenvolver habilidades permite que a convivência não só facilite a aprendizagem e o aperfeiçoamento dos instrumentos, mas também enriqueça a afetividade resultante do relacionamento humano; experimentado emoções de expectativa, desejo, prazer, medo, inveja, o homem aprende a conhecer a natureza, as pessoas e a si mesmo.

Para outros entende-se que : a realização é encontrada na relação transcendental. Uma relação com o místico... Nestes casos orações, meditações e outras coisas fazem se sentirem a procura de uma realização... 

Para a psicanálise o que é realização? Freud é centrado na questão do recalque, que é o conceito relativo a algo que detém a pulsão no individuo e retorna sobre si mesma.

Em Freud a exteriorização do movimento psíquico inconsciente ocorre por conta do que se denominou de formações do inconsciente. O paradigma da repetição rege a forma de entendimento das comunicações. As interpretações conectam o passado ao presente. 

Em Bion, a exteriorização ocorre pelas concepções, pela capacidade que elas mantém ou não de continuar com o valor de pré-concepção gerando novas concepções e a possibilidade de se transformarem em conceitos ou visões estabelecidas de mundo.

O paradigma da expansão (evolução/restauração) rege a forma de entendimento das comunicações. As interpretações conectam o que se cria e transforma. 

Expansão constante, universo em expansão, evolução simultânea a restauração de objetos é o movimento que deve estar presente na relação estabelecida com a mente inconsciente.

O processo descrito pelo objeto psicanalítico remete ao entendimento das relações psíquicas regidas pelo principio de complexidade. Assim, a pré-concepção base do modelo, remete a questões filosóficas e epistemológicas que estavam além do tempo. Para pensar não basta quer, é preciso aprender. 

O essencial do aprender humano deriva desta solução que o conceito de pré-concepção traduz e que nos primórdios possibilitou a cesura de pré-humano para humano. Ou seja, para que fosse possível diminuir a influência do inato e tornar o ser humano mais capaz de se adaptar rapidamente aos mais distintos ambientes e, lutar contra os mais variados predadores, o bebê pré-humano teve que nascer cada vez mais imaturo.

Com a diminuição da interferência do inato aumentava-se a capacidade de aprender com a experiência. Surge a partir deste fato um mundo social-histórico, organização social para proteger esta imaturidade, para atender a plasticidade dos movimentos. O meio ambiente do humano deixou de ser a natureza e passou a ser a sociedade.

O social fica com uma raiz gravada no inato, mas também fica o mental. Ambos se expandem. O termo realização pode então, de fato, simplesmente significar o processo geral pelo qual ocorre um contato com a realidade e suas vicissitudes. Outra forma de colocar estas questões pode ser através do trabalho do analista. 

Sem ponto de partida é um estado mental específico (sem memória e sem desejo) para tentar unir intuições cegas com conceitos vazios. Ou seja, a mente do analista parte de conjecturas imaginaria e conjecturas racionais que vão se unir através de indagações especifica até atingir a linguagem interpretativa.

A intuição corresponderia à captação dos ritmos sensoriais comunicados pelo analisando e os seus conceitos às teorias que o analista escolhe como sintonizadas a seu ser e que julga capazes de conter essas percepções mais primitivas do material comunicado, de certa forma a realização do analista e quando seus insights correspondem com a verdade manifesta do analisado. 

A combinação de conjuntos produz experiências que chegam até a formação de um conceito, uma visão de mundo a partir de um objeto. Um “dentro” e um “fora” do objeto ficam definidos e muitas vezes isso aparece nitidamente em sonhos.

O mundo é construído com um aspecto de pensamentos, sentimentos e idéias evoluindo, enquanto outro aspecto se desfaz e da origem a idéias delirantes, crenças, falsas-concepções, mentiras, etc. Em outras palavras muito do que se deseja como realização é dentro de pensamentos e idéias que escolhemos trilhar cartesianamente.

Ronaldo de Mattos – Psicanalista Clinico

Referencias:

FENICHEL. Otto “Teoria Psicanalítica das Neuroses”, São Paulo; Editora Atheneu, 2005.
ROUDINESCO. Elisabeth “Dicionário de Psicanálise”, Rio de Janeiro; Jorge Zahar Ed. 1998
SPELLER. Maria Augusta Rondas “Psicanálise e Educação, caminhos cruzáveis”,  Brasília; Plano Editora, 2004.
NASIO. J. D. “O Prazer de ler Freud”, Rio de Janeiro;  Jorge Zahar Ed. 1999.
LAVILLE.  Claudine Blanchard “Os professores – entre o prazer e o sofrimento”,  São Paulo; Edições Loyola; 2005.
JOFFE. W. G. “O que é a Psicanálise?” Rio de Janeiro; Imago editora LTDA; 1972

em 23/11/2011

Voltar

Principal / Pense comigo / Contato / Agenda online
www.ronaldodemattos.com - Todos os direitos reservados 2009 - 2013