Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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O Sujeito - Reflexões Psicanalítica
“Freud afirmou que construímos nossa sexualidade a partir do nascimento...

"Não somos apenas o que pensamos ser. Somos mais, somos também o que nos lembramos e aquilo de que nos esquecemos..."
Sigmund Freud
“Objetivo da Psicanálise é tornar consciente o que está reprimido no inconsciente e que faz o sujeito “sofrer” no seu prazer ou desprazer.”

“Freud dizia que a psicanálise abriu uma terceira ferida na vaidade do ser humano, ao revelar que ele não era senhor nem em sua própria casa, pois os processos inconscientes denunciam um sujeito dividido, cindido, ignorante de suas próprias verdades, das determinações inconscientes de suas escolhas, pensamentos, atos.” 

“As outras feridas são causadas pelas descobertas de Darwin (somos realmente parecidos com os macacos) e de Copémico (giramos entorno do astro-rei, sendo seus súditos). Não somos, como desejaríamos ser, o centro de tudo.”

“Saber o que somos delinear uma imagem clara de nosso “eu” é impossível. Parafraseando o poeta português Fernando Pessoa, “somos um interva-lo entre duas palavras”, ou seja, não há palavra que nos diga por completo; o sentido fugidio, breve, sempre nos escapa.”

A psicanálise diz mais: o eu consciente é a sede do engano. Pensamos, ou queremos pensar, que sabemos o que somos. No entanto, esta idéia, esta imagem que temos a nosso respeito pode ser facilmente quebrada por um comentário de outra pessoa ou por nós mesmos numa determinada situação.”

“O sujeito do inconsciente é distinto do sujeito cartesiano, de Descartes, filosofo fundador do racionalismo moderno, autor da frase famosa – “penso, logo existo” – que tinha uma determinada concepção do sujeito, senhor de si mesmo, pois, pela razão, pela mente, poderia chegar ao conhecimento verdadeiro.

O eu cartesiano é a morada da verdade. Para a psicanálise, o eu é lugar do "desconhecido.”  “O psicanalista, Jacques Lacan, diria anos mais tarde, para ilustrar a subversão que o inconsciente trouxe à crença de que tudo se pode saber através da razão consciente; tal reflexão: “Penso onde não sou, portanto sou onde não penso.” Traduzindo: o que realmente sou, meu desejo inconsciente revela-se não no meu discurso racional, egóico, mas onde menos o pensamento controla.”

“Entender quais são os subsídios que à psicanálise pode dar para pensar o processo de aprendizagem e a pratica pedagógica é para tanto imprescindível conhecer alguns de seus conceitos básicos, entre eles, o inconsciente.” 

“Para se descobrir as implicações de processos inconscientes para a prática pedagógica, é necessário compreender mais alguns conceitos psicanalíticos como: desejo, sexualidade, pulsão, complexo de Édipo, complexo de castração e transferência.” 

“Freud afirmou que construímos nossa sexualidade a partir do nascimento, pois no ser falante, a diferença sexual não é um dado inicial, ela vem de fora, não havendo inscrição de diferença sexual no inconsciente.” 

“As concepções de Freud sobre sexualidade revolucionaram essas idéias, sendo alvo de polêmica até os dias atuais. Para ele, a sexualidade é compreendida não só no sentido usual, mas também como um conjunto de atividades, representações e sintomas não associados com o que concebemos tradicionalmente como sexualidade.” 

“Para entender um pouco a psicanálise e a contribuição que ela pode oferecer ao professor, é importante que fique claro que a sexualidade, dentro dessa teoria, não se refere somente aos órgãos sexuais e à atividade genital. De acordo com o conceito de sexualidade aqui definido, a ação intelectual, como estudar, ler, pode estar fortemente erogenizada, em outras palavras, investida de energia libidinal(refere ao conceito de libido, energia sexual da pulsão, força essencial no psiquismo). Entendendo isso, compreender-se-á também, depois de estudar os complexos de Édipo e de castração.” 

“Freud dizia que o desejo de saber/ aprender, a curiosidade, todas as nossas perguntas estão relacionadas com a diferença de sexos e a angustia que ela causa, remetendo-nos ao nosso lugar no mundo, nossa origem, nosso destino, enfim, a duas perguntas básicas: De onde viemos? E para onde vamos? Perguntas que só, cada um de nós pode responder, definindo o sentido de nossas vidas.”

“Um exemplo ajudará a esclarecer esse conceito: o choro de um bebê poderá ser interpretado, por sua mãe, como um choro de fome, o que fará com que ela pegue a criança nos braços, dando-lhe o seio.” 

“Em assim fazendo, aquele choro nunca mais será igual do registro da necessidade da fome, instintiva/ biológica, passará ao da demanda e, mais tarde, com a resolução dos complexos de Édipo e da castração, ao do desejo, da ordem humana – pois, ao chorar, a criança receberá não só o leite que matará sua fome, como um seio de um outro, no caso, da mãe, despertando, digamos, outras fomes. Junto com o leite, o quentinho de um regaço, um beijo, uma carícia.” 

“Da próxima vez que chorar, não estará respondendo somente à necessidade gerada pela fome. Estará chorando pelo seio que mata a fome biológica, mas que traz a presença de outro ser. A fome não é mais instintiva, a partir da entrada de Outro.” 

“O encontro com o objeto de nosso desejo é sempre faltoso, nunca satisfaz, nunca o idealizado é igual ao encontrado. Justamente por nos faltar é que buscamos: fazemos planos, estudamos, lemos para sermos melhores profissionais, etc. Se nos sentíssemos completos, satisfeitos, não faríamos mais nada.” 

“O desejo nos move na vida” 

“Em psicanálise, o termo desejo designa o campo do sujeito sexuado, em oposição ás abordagens teóricas que se limitam ao biológico.”
“Digamos, para os propósitos desta palestra que não se propõe aprofundar, mas sim introduzir o professor na psicanálise, que o ser humano deseja, pois, sendo um ser da cultura, do simbólico, a satisfação de suas necessidades biológicas passa por um apelo dirigido a um outro, condicionado pela cultura, o que altera o pedido de satisfação da necessidade em uma demanda de amor.”

“Para a psicanálise, qualquer pedido, qualquer demanda é sempre, no fundo, demanda de amor, ou seja, de reconhecimento por parte do outro de um lugar para a expressão de um desejo (inconsciente), que nunca se satisfaz, só querendo ser realizado, muitas vezes bastando ser falado, escutado, reconhecido, enfim.”

Ronaldo de Mattos – Psicanalista Clinico

em 23/11/2011

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