Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Prática Pedagógica - Psicanálise
Para que haja a compreensão do fundamental papel do professor na ação pedagógica, a cultura escolar há de considerar o aspecto constitucional do desejo...

No mundo contemporâneo, a ação dos professores vai além da função pedagógica. O sujeito demanda uma educação que a família não lhe  assegura, os professores intervêm como educadores estendendo o ato educativo à vida pessoal de cada aluno.

Na sociedade atual, o cidadão é órfão de filiação simbólica cada vez mais desamparada da autoridade paterna; com isso o sujeito se aprisiona a um só tempo centrado no eu, e carente de “ser”, e assim, por vezes, o professor assume mais essa função de legitimação simbólica da autoridade, que fundamentalmente seria, em primeiro momento, atribuição da família, como aponta Dolto (1999). 

Certamente, nos dias atuais, a Psicanálise configura-se como uma ferramenta de apoio, um campo de conhecimento que possibilita o reconhecimento dos efeitos dos processos inconscientes na ação pedagógica, essencialmente a compreensão das vicissitudes por que passam o sujeito no ato de construção do conhecimento. 

Entendendo que a Psicanálise não possa inspirar nenhuma pedagogia no sentido de fornecer receitas e manuais de uso ao professor, ela não informa como se proceder na ação educativa.

Porém, ela nos alerta sobre o que não devemos fazer. Não há fórmula para germinar o desejo nas crianças, não há uma receita a ser seguida metodicamente para fabricar realidades psíquicas sujeitas à lei do desejo, afirma Lajonquière (1999, p.119).

Para que haja a compreensão do fundamental papel do professor na ação pedagógica, a cultura escolar há de considerar o aspecto constitucional do desejo do professor e do aluno como parte dos processos socializadores, bem como os meios de subjetivação e dessubjetivação do humano no mundo contemporâneo. 

Frente às mudanças estruturais ocorridas na sociedade ocidental, com os valores mais fluidos, os jovens distanciam-se do encontro com o mundo adulto face à falta de veiculação da palavra, do diálogo, de um espaço de escuta em que possam falar sobre suas angústias, dificuldades e ambivalências. 

Percebe-se uma relação especular sem espaço para alteridade. O adulto assevera-se num embate com os jovens, e, sob o primado dessa relação, tece a produção de conhecimento a qual se torna muito mais um palco de confronto e mal-estar do que um intercâmbio propriamente enriquecedor, afirma Amaral (2006, p.34).

Desse ponto de vista, é necessário pensar que atualmente o modo de liberação das pulsões está formatado sob os padrões do status quo, extinguindo assim o curso normal da sublimação das pulsões, processo essencial ao ato de aprender. Essas circunstâncias demandam novas posturas por parte dos professores, novos contornos ao campo das relações nessa atual geração, alerta Amaral (2006).
Entretanto, deve-se compreender a Psicanálise como uma ponte que leva o sujeito a reencontrar o desejo.

O que se propõe não é aplicar Psicanálise à Educação, mas é sugerir ao professor uma educação “clareada”pelos saberes psicanalíticos. Termo cunhado por Maria Cristina Kupfer, no seu livro: Educação para o futuro. Psicanálise e educação. 

Neste contexto, o desejo passa a ser o objetivo fundamental da educação como algo que sempre se revela. A idéia clássica de previsão e controle do ato educativo por meio de técnicas pedagógicas já não se sustenta frente ao desejo de aprender do aluno. Se a intervenção dos adultos junto às crianças está atravessada pela recusa inconsciente destes ao desejo, então, dificilmente a educação pode se dar, (LAJONQUIÈRE, 2006, p.23). 

Segundo esse autor, o desejo anima a fala do professor, que provavelmente suscita o desejo de saber do aluno. Nesse compasso, é possível dizer que a confluência entre o que foi ensinado e a subjetividade do aluno é o que nutre a criatividade, a produção de novos conhecimentos.

Há uma dimensão desejante que habita cada sujeito de modo particular, acionada pelo professor ao renunciar seu poder e reconhecer-se castrado, constituído pela falta, sem controle sobre o que diz, e muito menos dos efeitos de suas palavras sobre o aluno. 

Enfim, a Psicanálise aponta que o sujeito se constitui fundamentalmente através das identificações. Na relação professor-aluno, os sujeitos vão se constituindo através dos processos identificatórios e os educadores passam a ser alvos de subseqüentes identificações, processo vivenciado anteriormente com os pais

Ronaldo de Mattos – Psicanalista Clinico

PARA LEITURA
APRENDER... Sim, mas como?
MEIRIEU. Philippe; 7º. Edição; Porto Alegre; Artes Médicas, 1998.

FREUD E A EDUCAÇÃO, O Mestre do Impossível; KUPFER. Maria Cristina; 3º. Edição; São Paulo; Editora Scipione, 1997.

OS PROFESSORES – Entre o Prazer e o Sofrimento; LAVILLE. Claudine Blanchard; São Paulo; Edições Loyola, 2005.

em 23/11/2011

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