Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Linguagem - A arte de aproximar em Palavra
Desde seu nascimento e mesmo antes dele, o sujeito está banhado na linguagem. Ele deve assumi-la para aprender a falar, a ler e escrever, ou seja, para tomar um lugar na cultura...

Escrever é uma tarefa não conclusa, que se impõe tanto ao autor como ao leitor, e faz parte desse ato a evidência de que, ao escrever, um imaginário se descortina revelando que estamos sendo olhados por um possível leitor, indagando a cada letra desde seu próprio silêncio. É por isso que na escrita o sujeito se tece e se engendra.

Escrever é brincar. Porém, mais do que as fantasias, o que esta em jogo é as palavras. Quando o escrito quer atingir alguém, ou seja, quando ele pode ser literatura, ele assume sua condição de jogo com as palavras. Isso não quer dizer, contudo, que a literatura seja lúdica, gratuita, vá guiado por mero capricho. Pelo contrário. Porque o homem se faz na linguagem, colocá-lo em jogo e retomar a própria constituição do sujeito.?

Desde seu nascimento e mesmo antes dele, o sujeito está banhado na linguagem. Ele deve assumi-la para aprender a falar, a ler e escrever, ou seja, para tomar um lugar na cultura.

Brincando se dizem as maiores verdades, conforme o dito popular. A piada, o chiste, é a mais comum brincadeira com palavras. Ela é, diz Freud, a “mais social” das produções psíquicas; além disso, ela visa claramente a obtenção de prazer (Os chistes e suas relação com o inconsciente (1905); em Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Rio de Janeiro, Imago, 1987, vol.VIII, p. 204).

Ela trata as palavras, diz ainda o psicanalista, como se fossem coisas – o que mostra que há aí um trabalho inconsciente. Nas piadas, freqüentemente fazemos jogos de palavras, nos permitindo brincar com elas como as crianças. Mas elas carregam, muitas vezes, alguma agressividade. Pensemos por exemplo em uma piada racista. Temos horror a tais e, no entanto, devemos confessar que não conseguimos deixar de rir de algumas delas.

Pois a piada é uma armadilha; não escolhemos rir ou não. Quando se trata realmente de uma boa piada, gargalhamos antes de compreender-la inteiramente.

O próprio jogo, a brincadeira, não é apenas o livre mundo das fantasias prazerosas. Ele não é mero passa-tempo, mas é infantil no sentido mais terrível que a psicanálise dá a esse termo: o da cena em que o sujeito se forma. Há um núcleo na constituição de cada um de nós que se encena singularmente como trauma, ferida, como indica a origem grega do termo.

A linguagem, em última instância, fere a criança e é graças a essa marca, sua cicatriz, que ela poderá assumir sua condição humana, ou seja, marcada pela limitação da morte e pelo enigma do sexo. É com o trauma que se joga, é com ele que devemos poder brincar um pouco, realizando nossa condição de seres de linguagem.

O jogo das palavras mostra, assim, sua dupla face: jogo de vida ou de morte. Freud já dizia que a arte não poupa as pessoas (na tragédia, por exemplo) das “mais penosas experiências, e, no entanto é sentida como um prazer”; em Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, vol. XVIII, p.29.

É estranho tal prazer “mais elevado”, pois ele se mescla á dor. Nele espreita algo de terrível, mas que deve se prestar, pelo menos em parte, ao jogo da linguagem, dando a cada um de nós algum lugar diante da perda. Ao jogo da literatura cabe dar um passo além e transformar a dor, que constitui cada um de nós, em poesia.

Regras básicas para estabelecer a Leitura e a escrita:

I – Leia atentamente e devagar, pois a leitura exige para ser proveitosa, reflexão nos pensamentos e sentimentos do autor para que possamos assimilá-los.
Assim, não lhe escaparão à beleza dos sentimentos, a justeza dos pensamentos, a arte da composição e a perfeição do estilo à obra. De vez em quando, pare e pergunte-se: “Vi isso antes, compreendi bem? Como eu teria dito isso?”

II – Pratique ao máximo suas observações, procurando achar na obra que lê os elementos da composição literária e as idéias apresentadas e os argumentos utilizados para validá-las.

Acompanhe as definições, analise os raciocínios, verifique as descrições e as narrativas, entenda e compare as personagens, descubra o plano da obra, examine as expressões e os diálogos sempre com seu dicionário para não deixar passar nada. Para isso, são excelentes os exercícios incluídos nos livros escolares.

Quer ir além? Vá a um sebo e compre uma porção de livros didáticos que contenham textos com exercício de interpretação. São ótimos para você se desenvolver e, ao mesmo tempo, ampliar seus conhecimentos e experiência.

III – Tome notas e consulte-as sempre que possível mantendo viva em sua mente aquela obra. Isso é particularmente importante para as provas de literatura, em que são fornecidas listas para serem lidos.

IV – Se você tiver alguns amigos com os mesmos interesses, objetivos ou necessidades, fundem um clube de leitura, onde farão em conjunto todas as atividades de leitura, anotações, troca de idéias, experiências e observações e onde poderão elaborar suas redações e submetê-las ao julgamento. Além de ser estimulante e altamente motivador, seguramente apressará seu desenvolvimento, sua formação e seu aprendizado.

OBS: Ao fazer anotações, tenha em mente que são importantes porque suprem a memória. Se não fizer isso, após algum tempo terá esquecido a maior parte do que leu, a menos que tenha uma memória fotográfica.

Além disso, essas anotações são a garantia da precisão em suas citações, quando se reportar a um texto, um livro ou uma página, dando valor e autoridade aos seus escritos, economizando tempo quando necessitar fazer isso. Ao fazer suas anotações, marque o que julgar importante e interesse para você, conforme seu gosto e seu temperamento. Lembre-se de que as anotações são para seu uso pessoal, portanto você decide o que elas devem conter e de que forma serão feitas.

Estabelecendo um cronograma de Leitura

Literatura Cristã – Leia a bíblia, Novo e Velho Testamento. Observando como eram as pessoas naquela época, como agiam, quais eram seus sentimentos, o que as movia, como se relacionavam umas com as outras, que emoções demonstravam e tudo o mais que julgar importante.

Literatura Grega – Procure textos dos seguintes autores: Homero, Heródoto, Platão, Demóstenes, Plutarco e Epicteto. Leia e pratique suas observações.

Literatura Latina – Leia Vergílio, Cícero, Sêneca, Tito Lívio e Horácio, pondo em pratica seus dotes de observador.

Literatura de Língua Européia – Não deixe de ler obras de Shakespeare e Milton, de Dante, Cervantes, Victor Hugo Goethe e Schiller.

Literatura de Língua Portuguesa – Procure ler Garrett, Herculano, Castilho, Rebelo da Silva, Latino Coelho, José de Alencar, Castelo Branco, Machado de Assis, Oliveira Martins, Eça de Queirós, Rui Barbosa e Euclides da Cunha.

Literatura Atual – Procure conhecer as obras dos autores que estão em evidência ou que se evidenciaram na literatura mundial nas últimas décadas. Leia pelo menos trechos de suas obras, observando seus estilos.


Ronaldo de Mattos – Psicanalista Clinico

em 28/11/2011

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