Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Violência Domestica - Psicopatologia
Para Schaeffer a violência domestica e regida por três “P”: projeção, personalização, e poder...

Sábado à noite, os moradores de um condomínio são apanhados de surpresa com gritos de desespero de uma adolescente que pede por socorro. O pai está trancado no quarto espancando a mãe. Atônitos, os vizinhos chamam a polícia e o serviço de atendimento de emergência.

Quando os policiais chegam ao local se deparam com um cenário de terror. Objetos quebrados, o piso e as paredes do apartamento estão cheios de sangue. Do lado de fora, curiosos se aglomeram na porta do edifício, enquanto carros de polícia e ambulâncias ocupam a rua. Após as tentativas de diálogo e negociação com o agressor, a polícia arromba a porta do quarto e encontra uma mulher desmaiada e desfigurada, ela mal respira. Junto ao causador da agressão está o filho caçula do casal, um menino de três anos. ?

O agressor ainda ofereceu resistência à prisão. A filha contou ao vizinho que os pais estão separados e o motivo da separação foi justamente a violência do pai. O que leva a uma pessoa que sofre abusos e espancamentos a permanecer neste tipo de relacionamento?
Dia internacional da mulher 08 de março tem sua origem em manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada da Rússia na Primeira guerra mundial.

O dia Internacional da Mulher foi adotado pelas Nações Unidas, para lembra as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres...
Ao observar tais fatos, penso sobre o que vem acontecendo ao longo do tempo com esta conquista...

Violência domestica segundo Lourenço e Leote de Carvalho, é um problema social de dimensões universais que atravessa fronteiras de ordem cultural, econômica, étnica, religiosa ou gênero, afetando, aos mais diferentes níveis, os indivíduos de um determinado contexto.
A definição de violência surge como uma transgressão aos sistemas de normas e de valores que se reportam em cada momento, social e historicamente definido, à integridade da pessoa.

Situa o seu significado não apenas na natureza da força e nos efeitos de quem sofre. Numa perspectiva definida por Gelles, compreender o fenômeno da violência domestica implica identificar quatro grandes áreas que estão correlacionadas entre si. São elas:

As condições básicas do desenvolvimento do grupo familiar e do individuo, no que diz respeito aos direitos fundamentais; a identificação dos padrões comportamentais violentos; as causas que levam os agressores a passagem ao ato violento, uma das quais será doença mental; e por ultimo as consequências da vitimização.

Para Schaeffer a violência domestica e regida por três “P”: projeção, personalização, e poder. Para além destes mecanismos de atuação devemos incluir a rejeição. Tanto a vitima como do agressor negam que a relação esteja disfuncional, antes pelo contrario se existe igualdade entre as partes entendem a relação como sendo mesmo disfuncional.

A projeção é um mecanismo recorrente do agressor, como também o é na psicopatia, como iremos ver iremos ver de seguida e consiste em desviar a culpa para a vitima ou reconhecer no outro um defeito do próprio. A personalização é a interiorização das projeções que os outros fazem de nós, aceitando-as como verdade sobre nos próprios (por exemplo, no caso da vitima).

Por ultimo o poder surge através de jogos de poder que são comportamentos manipuladores tendo como objetivo manter a desigualdade numa relação, determinando quem domina e quem está dominado.

Para Nazare-Aga o agressor é um manipulador relacional que consegue tornar-nos culpados de faltas imaginarias. Faz uso de raciocínios pseudológicos e de regras morais que maneja segundo o objetivo que pretende. É, particularmente habilidoso em inverter as situações e consegue instalar a confusão no seu interlocutor.

Se este ultimo tiver tendência natural para se achar culpado, irá então torna-se um alvo de predileção para o manipulador. O manipulador utilizará constantemente o comportamento Double bind, ou seja, utiliza uma comunicação paradoxal em que duas mensagens opostas são emitidas de tal modo que, se obedecer a uma, está a contrariar a outra. Assim intimida o parceiro.

O manipulador recorre muitas vezes à vitimização. Diz-se vitima da competência, da mediocridade e das fraquezas dos outros. A sua comunicação não é autêntica, exprime as suas mensagens de modo unilateral ou de maneira irônica.

De forma ou interpreta o que lhe é dito da maneira que lhe convém. Vários estudos feitos no âmbito da violência domestica e/ou sexual indicam que existe um elevado índice de psicopatia no funcionamento do agressor.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clinico

Referencias
Allen Dor, J. (1989). Introdução à leitura de Lacan. Porto Alegre: Artes Médicas.
Fages, J. B. (1967) Para Entender o Estruturalismo. São Paulo: Editora Moraes.
Lacan, J. (1988). Escritos: O Estádio de Espelho como formador da função do Eu, função  campo da Palavra, Psicanálise e Estrutura da Personalidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
Lacan, J. (1986). O Seminário: livro 1. Rio de Janeiro: Jorge Zahar
Lemaire, A. (1979). Jacques Lacan, uma introdução. Rio de Janeiro : Editora Campos...
Násio, J. D. (1995). O Olhar em Psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
Saussure, F. (1985). Curso de lingüística Geral. São Paulo: Cultrix.

em 30/03/2012

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